O Valuation para cisão de empresas ou saída de sócios

Avaliar o valor de mercado da empresa ajuda na tomada de decisão dos sócios

As sociedades não são eternas. Portanto não é raro que um sócio deseje sair do negócio, ou que a empresa venha a ser cindida entre os sócios. Neste caso o valuation é uma alternativa prudente para determinar o valor justo que cada sócio tem direito.

Alguns contratos sociais estabelecem que o valor patrimonial é que servirá de base para a saída de sócios, mas isso pode parecer um pouco injusto. O valor patrimonial deixa de analisar o fluxo de caixa futuro da empresa e sua possibilidade de geração de valor. Raramente o valor patrimonial representa o valor justo de uma empresa.

Portanto na saída de sócio de uma empresa o mais correto é estabelecer o valor justo por meio de um estudo de valuation. Melhor ainda quando as partes conhecem adequadamente o negócio e chegam a um consenso quanto às premissas que serão utilizadas no estudo.

Uma cisão requer fundamentalmente um valuation. Qual a participação de cada sócio e, na cisão, com quanto cada efetivamente está ficando em termos monetários e percentuais? Somente um valuation bem estruturado poderá responder a esta questão.

O Valuation em casos de herança e divórcio

Como o valuation ajuda na partilha dos bens

Quando há bens envolvidos nos processos de herança e divórcio, o valuation é a ferramenta que auxilia nas definições de partilha. Lançar mão dessa técnica é uma forma de estabelecer parâmetros justos na hora da divisão.

Valuation para heranças

Nos casos de herança, quando há imóveis e empresas que precisam ser partilhados, é necessário que se faça uma avaliação dos valores desses bens para que se tenha uma partilha equilibrada entre os herdeiros.

O valuation é utilizado quando não há testamento que defina quais bens vão para cada beneficiário. Quando essa informação não é deixada pelo proprietário, a lei diz que sejam feitas as repartições igualitárias entre os herdeiros. Desta forma o valuation serve como base de divisão.

Essa decisão parece um tanto óbvia, mas na prática, quando alguém morre, esse é uma questão bastante sensível. Na maioria das vezes não se tem o valor de imóveis e empresas deixadas. É muito importante que se faça uma avaliação aprofundada e técnica para solucionar esse tipo de questão” ressalta.

O processo de valuation também é útil para definir a divisão mesmo quando o dono do patrimônio decide planejar a sua sucessão. Nestes casos o proprietário toma as decisões sobre a forma de divisão entre os herdeiros.

Valuation para divórcio

O valuation também é bastante utilizado em casos de divórcio. Nestas situações, quando se faz necessário partilha de bens do casal, é preciso que se avalie o valor para que se faça uma divisão equilibrada.

Uma avaliação consistente nos dois casos auxilia a família para tomada de decisão acertada e minimiza divergências no momento delicado para as partes.

Artigo Gazeta do Povo: A infraestrutura que não chega ao esgoto

O acesso da população aos serviços de saneamento básico está diretamente relacionado aos indicadores de desenvolvimento humano. Economias maduras necessariamente apresentam índices satisfatórios e de referência internacional. É conhecido que a melhora de indicadores de saúde, tais como expectativa de vida, taxa de mortalidade infantil e doenças epidêmicas de origem hídrica são obtidos a partir da universalização dos serviços de água e esgoto. O Brasil está muito longe dessa realidade.

Segundo a ABCON e o SINDCON, no Panorama da Participação Privada no Saneamento no Brasil 2019, ocupamos a 105ª posição em um ranking mundial em termos de acesso a esses serviços. Estamos atrás de países como China, África do Sul, Jordânia, México, Chile e Peru. Para avançar, deveríamos investir pelo menos 20 bilhões de reais por ano em saneamento. Atualmente, investimos apenas 50% desse recurso.

Para mudar esse cenário, é preciso encontrar caminhos que ampliem os investimentos, que leve condições básicas de saúde à população a um preço justo. Essa mudança impactará diretamente na economia do país. Mas, com a estrutura institucional e jurídica atual, não conseguiremos mudar essa realidade.

Estados e União não têm recursos para ampliar os investimentos. Mudanças estruturais são essenciais. A medida provisória que atualiza o Marco Regulatório do Saneamento Básico (MP 868/2018) acaba de caducar e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou proposta com mesmo conteúdo. Ela representa um instrumento jurídico que certamente poderá melhorar o acesso de grande parte da população à rede de esgoto e água potável. A mudança possibilita a regulamentação de projetos de concessão e de parcerias público-privadas para a execução de obras de infraestrutura voltadas ao saneamento básico.

Outra questão importante nesse processo é a falta de concorrência e de clareza na obrigatoriedade de investimentos. Atualmente, a escolha é feita sem necessidade de licitação. Um novo marco regulatório pode intervir diretamente na redução dos preços e no volume de investimentos estruturais. Mas, sem essa mudança, continuaremos observando um quadro dramático do setor.

O economista Douglass North, Nobel em Economia em 1993, defendeu que o principal papel das instituições inclusivas em uma sociedade é de reduzir a incerteza, ao estabelecer uma estrutura estável para a interação humana e investimentos de longo prazo. North argumenta que mudanças institucionais que incentivam os monopólios, restringem as oportunidades de negócios e ampliam a concentração de poder na mão de poucos, levando à ineficiência econômica e queda na produtividade. Realidade típica de países subdesenvolvidos.

O ponto central, o qual defendo, consiste na necessidade de buscar uma nova interação entre organizações público-privadas e instituições políticas para modernizar o marco legal do saneamento básico no Brasil. Apenas 6% dos municípios brasileiros contam com parceria da iniciativa privada, em um ambiente de incerteza. Garantir a segurança jurídica necessária para gerar novas oportunidades de investimentos público-privados, além de promover uniformidade regulatória e eficiência na prestação dos serviços tornam-se vitais para o desenvolvimento do setor.

*Lucas Lautert Dezordi, é doutor em Economia, sócio da Valuup Consultoria, economista-chefe da Trivèlla M3 Investimentos e professor da Universidade Positivo.

Esse artigo foi publicado originalmente no site da Gazeta do Povo.

 

5 momentos para se fazer um Valuation

Quando a análise do valor da empresa (Valuation) colabora na assertividade da tomada de decisão.

A avaliação do valor de uma empresa (Valuation) é um processo determinante na gestão. Saber quanto vale o negócio e qual a posição no mercado pode determinar o futuro da empresa.

Abordamos o que é um Valuation neste artigo. Mas é preciso entender que a metodologia diz respeito a uma estimativa futura, por tanto não se trata de uma ciência exata. Há várias formas de se calcular o valor, a mais comum é o fluxo de caixa descontado.

A estratégia de definição de valor é utilizada em muitas situações, aqui vamos falar sobre cinco momentos em que o Valuation se torna uma ferramenta determinante.

  1. Compra ou venda de cotas
  2. Solução de conflitos societários
  3. Precificação de ações
  4. Captação de recursos
  5. Valorização de cotas de fundos

Compra ou venda de Cotas

Quando se compra, vende ou ainda há a fusão entre empresas é essencial que se saiba o valor justo da negociação. Nessas transações é determinante que se balize os valores de compra e venda ou de cotas entre sócios com um Valuation.

Nestes casos, não há espaço para achismos, por isso é preciso muita cautela e profissionalismo na hora do cálculo.

Por isso as aplicações mais comuns dessa ferramenta são nas fusões e aquisições. Nesse processo não há como se abster dessa análise.

Solução de conflitos societários

Quando um dos sócios decide sair da sociedade precisa ter o valor real da sua cota no negócio. O Valuation determina quanto vale o percentual de cada sócio no momento da saída e dissolução daquele cenário societário.

Quando não há entendimento entre as partes é comum que o Valuation seja aplicado pelas partes para que se faça o comparativo de valores.

Destacamos que a avaliação de valor da empresa não é uma ciência exata, há algumas variáveis sobre a expectativa de valor futuro que pode ser entendida de formas diferentes. Por isso quanto mais detalhado e quanto mais fatores forem levados em consideração, mais próximo se estará da realização do valor estipulado pela ferramenta.

Neste caso a Valuation é utilizado nos processos judiciais e extrajudiciais.

Precificação de ações

O Valuation das empresas de capital aberto determina o valor de cada ação emitida, que somadas devem resultar no valor total da empresa.

Por isso, a precisão de um bom Valuation impactam diretamente no mercado de ações. Quanto mais informações se tem da empresa e mais amplo for o olhar sobre o mercado, mais próximo se estará da realidade.

Captação de Recurso

Neste caso o Valuation busca a estrutura ótima de capital, isto é, quanto de dinheiro a empresa pode, ou deve, tomar emprestado e manter a saúde financeira.

Ao contrário do que muitos pensam, existem dívidas boas. Quando ela é planejada e baseada em um Valuation consistente, o dinheiro de terceiros colabora diretamente para o crescimento do negócio.

Em alguns casos, dívidas estratégicas e fundamentadas podem, inclusive, aumentar o valor da empresa.

Valorização de cotas de fundos

Fundos regulamentados pela CVM (FII, FDIC, FIP) devem prestar contas regularmente aos seus cotistas, bem como às instituições reguladoras.

O Valuation é utilizado para determinar os fluxos dos investimentos desses fundos e a marcação das cotas a valor de mercado.

Qual é o seu momento?

A Valuup está à disposição para qualquer um desses cenários. Vamos estudar e entender qual é melhor estratégia para agregar valor à sua empresa.

O que é Valuation?

Quais os aspectos que precisam ser considerados para determinar o valor de uma empresa.

Uma pergunta pertinente a qualquer empresário é: quanto vale o seu negócio? Uma das maneiras de se chegar a essa resposta é lançar mão da ferramenta chamada Valuation.

O Valuation é um conjunto de métodos financeiros que são usados para estimar o valor real de uma empresa ou de um ativo.

O cálculo considera inúmeras variáveis e diferentes interpretações dos avaliadores que acarretam em valores dispares, não havendo uma resposta definitiva e única.

Essa metodologia entra em cena em momentos muito específicos e, na maioria das vezes, bastante sensíveis da empresa. A fusão e aquisição, a saída ou entrada de sócios, na análise da captação de recursos e na precificação de ações são alguns exemplos em que o Valuation é utilizado.

Podemos simplificar o processo na seguinte afirmação: Valuation é processo de determinação de um valor. Esse valor vai muito além do estoque, ativos e passivos. Muitas vezes é algo intangível que precisa ser considerado na hora do cálculo.

Podemos concluir que o valor que o mercado credita a sua empresa é proporcional a capacidade de geração de caixa futuro.

Existem várias formas de se fazer o cálculo, no entanto, a Valuup Consultoria acredita que a mais próxima da realidade é a metodologia de Fluxo de Caixa Descontado.

Entenda o conceito que envolve essa técnica:

Fluxo de Caixa Descontado

Esse é o método mais utilizado para o cálculo de Valuation. Ele projeta os fluxos futuros de caixa da empresa aplicando um desconto.

Logo, o Fluxo de Caixa Descontado, é uma estimativa daquilo que sua empresa poderá produzir ao longo dos anos, descontado por uma taxa que reflita os riscos do negócio, para então trazer ao valor presente.

O fluxo de caixa compreende três elementos fundamentais:

  1. Estimativa de fluxo de caixa: se leva em conta o faturamento e os custos da empresa em um determinado período.
  2. Taxa de desconto: é o prêmio pelo risco do negócio a qual leva em consideração os riscos macroeconômicos, de mercado, setoriais e de estrutura de capital da empresa avaliada.
  3. Valor residual: é aquele advindo do fluxo de caixa da perpetuidade o qual representa a continuidade das operações da empresa no longo prazo.

É um fato que esses cálculos não podem ser feitos de forma superficial. O detalhamento e aprofundamento dessas variáveis é que trarão maior precisão no resultado da análise. Por isso, a escolha de profissionais capacitados e preparados também é um dos principais fatores de um bom Valuation.

As vantagens do Valuation

Saber o valor da sua empresa pode, em primeiro lugar, tornar seu negócio mais competitivo. Explicamos porque:

  • Tomada de decisão estratégica: saber quanto vale o seu negócio.
  • Saber o que valoriza a empresa – com esse estudo os gestores podem identificar seus pontos fortes e potencializá-los.
  • O que deprecia o negócio – entender os pontos fracos e assim trabalhar para mitigá-los.
  • Saber quando e onde investir – saber se um investimento agrega ou deprecia a sua empresa.
  • Entender a estrutura de capital – saber quanto de capital próprio e de terceiros equilibram seu negócio.
  • Determinar se o retorno é maior que a taxa de risco – fazer com que o seu ROIC se torne maior que o WACC.
  • Saber o seu tamanho – entender qual é a sua posição no mercado será uma informação estratégica na tomada de decisão.

Conclusão

O cálculo do Valuation não está restrito às grandes corporações. A metodologia pode, e deve, ser aplicada para qualquer empresa que busque uma gestão profissional. Um dos maiores benefícios para os gestores é a extinção do achismo e a tomada de decisão com embasamento técnico.

A Valuup Consultoria é especializada em Valuation, entre em contato para aprofundar o assunto e falar dos desafios da sua empresa.

Valuation como estratégia aplicada

Nem só de fusões e aquisições vive o valuation. Determinar o valor da empresa é uma ferramenta que pode ser utilizada em múltiplas situações estratégicas da empresa.

A Bentonita, empresa do setor de mineração, utilizou o estudo em um estágio de evolução da empresa. A avaliação técnica contribuiu para o rearranjo societário.

O diretor, Felipe Corbellini, destacou que o profissionalismo foi determinante para o sucesso do processo, “ficamos muito satisfeitos com o estudo, o engajamento dos consultores contribuiu muito para que tivéssemos o resultado esperado”, conta o diretor.

Outra questão apontada por Corbellini como positiva no processo foi o reconhecimento da metodologia por todas as partes interessadas. “Não tivemos questionamentos com relação aos resultados e com o formato escolhido pela Valuup, ficamos muito seguros com todos os parâmetros utilizados” declara.

O economista e sócio da Valuup, Lucas Dezordi, ressalta a importância dessa ferramenta no processo decisório e como o projeto colaborou com a empresa. “A Bentonita entendeu que o valuation poderia ser utilizado como uma ferramenta estratégica de gestão baseada em valor. E, com isso, os gestores puderam ampliar sua visão do negócio e enfrentar melhor seus desafios” complementa Dezordi.

Um dos diferenciais também destacados pela Bentonita foi o prazo de entrega. “O trabalho foi entregue na data combinada, isso nos dias de hoje se tornou um diferencial, ficamos muito satisfeitos com o comprometimento de toda a equipe da Valuup”, enfatiza Corbellini.

Oferta de crédito: o problema não será dinheiro

Aumentam as linhas de crédito para MPMEs em bancos públicos e privados.

O início, mesmo que lento, da retomada da economia já dá sinais positivos. Há mais opções de crédito no mercado para as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME). Nicho importante para girar a engrenagem econômica do país.

Os bancos apostam em soluções digitais, buscam desburocratizar os processos e agilizar a tomada de crédito das empresas. Em matéria publicada no Valor Econômico, os Bancos Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e BNDES, falaram de suas estratégias de atuação e expansão nessa fatia de mercado.

  • O Santander, que pretende dobrar a carteira de clientes nessa categoria, vai investir em suporte técnico financeiro, de gestão, tributário e operacional. Serão 1,3 mil eventos espalhados pelo país para chegar até o empreendedor. Eles pretendem passar de 250 mil para 500 mil empresas atendidas.
  • O Banco do Brasil prevê um aumento de 10% em sua carteira de MPE. A estratégia será colocar todo o portfólio de produtos no ambiente digital. Além disso pretende especializar o atendimento para esse segmento, existe a previsão de expansão de agências exclusivas para atendimento das MPE.
  • O Itaú também optou em investir em digital para melhorar os resultados. As empresas que faturam de R$ 1 milhão a R$ 30 milhões têm gerentes exclusivos que vão até o cliente e fecham negócios em tablets. Sem papéis, assinaturas físicas e necessidade de ir ao banco. Essa estratégia, já implantada em 2018, gerou aumento de 20% na tomada de crédito dos clientes.
  • No BNDES atua com parceiros e tem colocado foco na agilidade dos processos. Segundo a matéria, as transações como o Finame, que demoravam de três a quatro dias, agora são aprovadas em segundos.
  • O Brasdesco é hoje o maior repassador do BNDES, o crescimento de 2018, comparado com 2017, foi de 10% de crédito para MPMEs. No primeiro trimestre de 2019 a carteira já avançou 23%, comparada com 2018.

A boa notícia é que o crédito estará disponível em várias vias, restará um bom planejamento e estudos técnicos para entender as necessidades específicas. A tomada de crédito consciente passa por entender qual é a melhor opção para cada tipo de negócio e se a injeção de dinheiro agregará valor à empresa, que é o principal objetivo.

A reforma da previdência e o futuro do Brasil

Por que as empresas precisam estar atentas ao cenário macroeconômico

Saber para que lado o vento sopra. Entender que caminho a economia do país, e também o mercado internacional, estão seguindo. Essas informações, principalmente a interpretação delas, têm se tornado um grande diferencial para todos os setores. Neste cenário não é possível desconsiderar uma variável importante, a reforma da previdência e suas consequências, para o bem e para o mal.

O economista e sócio da Valuup, Lucas Dezordi, fala sobre todos os aspectos macroeconômicos e quais os caminhos que estão sendo desenhados pelo mercado depois que o novo governo assumiu a direção. Dentro deste escopo o economista faz uma análise crítica da necessidade da reforma e as consequências de um engavetamento do projeto.

A análise trás a reflexão de que não há ciclos econômicos fechados. Os movimentos, mesmo que pareçam distantes, podem impactar diretamente no dia-a-dia do mercado e dentro das empresas. A grande questão é saber qual é o nível de interferência e quais são as decisões que precisam ser tomadas ou adiadas em cada cenário.

A palestra de aproximadamente duas horas, incluindo debates e perguntas, faz um paralelo entre os índices macroeconômicos e a realidade do setor a ser debatido. O objetivo é interpretar as possíveis consequências para cada cenário.

Entre em contato conosco 41 30187800.

Artigo Gazeta do Povo: O problema estrutural por trás do leilão da Norte-Sul

Em maio do ano passado, durante a greve dos caminhoneiros, a dependência da cadeia produtiva nacional em relação ao transporte rodoviário ficou evidente. Essa grande concentração no movimento de cargas em caminhões mostrou a necessidade urgente de buscar a diversificação dos modais de transporte e as ferrovias se fazem essencial neste processo. Devido à atual crise fiscal enfrentada, os recursos governamentais direcionados aos investimentos em infraestrutura minguaram e, portanto, escancararam a necessidade da injeção de capital da iniciativa privada.

O leilão realizado em 28 de março foi um sucesso em termos financeiros. A Rumo venceu o certame referente a um trecho de 1.537 quilômetros da ferrovia Norte-Sul, pagando um ágio de 100,92%. Ademais, durante os 30 anos da concessão, a empresa deverá investir R$ 2,72 bilhões em melhorias.

Mas o resultado positivo do leilão não pode esconder um problema crônico no Brasil: a falta de planejamento e gestão de projetos consistentes para investimento de longo prazo. A oferta da Ferrovia Norte-Sul, espinha dorsal do sistema ferroviário nacional, esconde um problema estrutural que limita o aumento da concorrência no processo licitatório. Justifico: como o trecho não tem acesso direto ao mar, a concessionária terá que utilizar duas outras linhas, operadas pela VLI e Rumo. No projeto licitatório, o governo garante por cinco anos a passagem e, depois desse período, o novo operador privado deverá solicitar e negociar o “direito de passagem”. As tarifas relacionadas ao direito de passagem das concessões adjacentes podem tornar o investimento menos rentável e prejudicar a operação, pois grande parte da produção transportada pelo eixo Norte-Sul envolve regiões exportadoras de grãos e fardos de celulose e necessitam de um desembarque final em algum porto.

Que investidor, seja estrangeiro ou não, estaria interessado em fazer esse formato de negócio com o governo brasileiro nessas condições? Não fica difícil concluir que seria uma disputa bilateral entre as duas operadoras que já atuam nas ferrovias brasileiras e que são detentoras das estradas de ferro que dão acesso ao porto.

Não vamos entrar no mérito das empresas – elas estão em seus direitos e aproveitando de suas vantagens, como é justo e próprio da iniciativa privada. O problema não está na empresa e sim no modelo, não percamos o foco. Há discussões judiciais e suspeitas de favorecimentos, mas a discussão aqui é puramente econômica e sobre as necessidades brasileiras, portanto, os aspectos legais e ilações sobre corrupção ficaram fora desta análise.

Este é o primeiro leilão de ferrovia em mais de dez anos. Em um país agrícola, esse dado é desolador. É muito caro transportar commodity por rodovias, o lugar dos grãos é no vagão. Mas estamos demorando muito para entender isso. E quando se faz algo, como é o caso da concessão da Norte-Sul, se faz mal feito. E aí chegamos no centro da discussão: a falta de concorrência nos trilhos. Uma única empresa, no caso a vencedora, poderá colocar seus vagões para rodar – o que torna o transporte ferroviário, em muitos casos, mais caro que o rodoviário. É inconcebível.

Enquanto o mundo caminha para o compartilhamento, o Brasil concede mais de 1.500 quilômetros de malha ferroviária sem direito de passagem por 30 anos. Isso reforça as ilhas de trilhos que temos pelo país. Sem direito de passagem, umas pelas outras, as operadoras não conseguem completar o ciclo logístico por trilhos – e aí tudo acaba caindo nas rodovias novamente.

Segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 30% da malha ferroviária está inutilizada e não tem condição de entrar em operação sem investimento em manutenção. São 28,2 mil quilômetros de trilhos, sendo que 8,6 mil estão enferrujando, à espera dos trens. Grande parte pelo impedimento de passagem e pela impossibilidade de interconexão das malhas. Neste cenário, temos a criação das ilhas de ferro. Aí criamos uma logística ultrapassada que não consegue encerrar seu ciclo e concluir a prestação de serviço. Segundo o estudo, atualmente, apenas 8% das operações são compartilhadas.

Assim, o que deveria significar um grande avanço logístico, infelizmente não terá grande impacto na infraestrutura do país. A concorrência nos trilhos não será estimulada da forma que deveria e as cargas continuarão, na sua maioria, circulando por rodovias. Serão mais 30 anos de mão atadas para a modernização e expansão das ferrovias brasileiras neste trecho.

Artigo publicado originalmente na Gazeta do Povo

Cooperativas do agronegócio mostram eficiência em 2018

Administração e controles profissionais somados ao dólar valorizado: resultados positivos para o setor.

Os olhares se voltam para o cooperativismo agropecuário no Brasil. A principal atividade econômica do país tem segurado as pontas da economia em tempo de vacas magras.

O setor do agronegócio não tem só parado em pé em meio à crise, ele tem se consolidado com estratégias bem desenhadas.

Essas evidências são observadas na atuação dos cooperados no mercado internacional, além do investimento na profissionalização da gestão.

Não atoa as cooperativas tem sido alvo de fusões e aquisições importantes nos últimos tempos. Investidores já olham atentos ao formato de negócio que está cada vez mais sólido e atrativo. A colaboração e a união de esforços não é apenas um discurso bonito, é eficiente.

É verdade que as dimensões continentais e as terras férteis colaboram muito para o título de celeiro do país. Mas nem só de solo produtivo vive o agronegócio. Quando se fala em business, o buraco é mais em baixo. Os números de 2018 comprovam a eficiência e o profissionalismo que o cooperativismo agro vem desenvolvendo.

Os números divulgados recentemente pelo Sistema Ocepar, que reúne 215 cooperativas no Paraná, registraram crescimento de 19,5% no faturamento, com R$ 83,7 bilhões movimentados.

O ramo agropecuário, que representa 81,4% das cooperativas, teve a maior representatividade na balança comercial paranaense, o saldo positivo foi de U$3,5 bilhões.

Esse número representa dinheiro estrangeiro entrando no país, e aí se fecha um ciclo virtuoso para a economia.

Ponto 1:   Em uma ponta um mercado externo aquecido e com grande potencial de expansão. Os gringos recebem produtos de qualidade e com grande segurança sanitária. esse diferencial permite a venda dos produtos brasileiros para países com legislações muito exigentes, como é o caso da China.

Ponto 2: Na outra ponta se tem as cooperativas com uma gestão cada vez mais eficiente, investindo em tecnologias e inovações que permitem a aceleração de potencial e controle do negócio.

Por isso se percebe o interesse de investimento, nacionais e estrangeiros, nesse setor de negócio brasileiro.

É um ciclo de ganha ganha, ganham os cooperados, que veem seus negócios sendo valorizados e ganha toda a economia do país que sente o reflexo do fortalecimento dessa enorme cadeia produtiva brasileira.

Vida longa ao cooperativismo.