CEOs demonstram otimismo em relação à economia em pesquisa

Apesar de extremamente preocupados com incertezas políticas e tributárias, os CEOs estão otimistas em relação ao futuro da empresa e da economia

A PwC anualmente promove uma pesquisa com CEOs no Brasil e no mundo, sendo divulgada em março de 2021 sua 24ª edição. É bastante curioso saber a visão desses líderes após 1 ano de pandemia, e a conclusão foi que o brasileiro é um otimista por natureza.

Isso porque 85% dos CEOs brasileiros apresentam um altíssimo nível de confiança na melhora da economia global em 12 meses, sendo o maior patamar dos últimos 10 anos. Tal otimismo se estende para dentro das empresas, onde 67% confiam em um crescimento da organização em 3 anos, o que contrasta com os demais CEOs do mundo em que apenas 47% destes acreditam em um crescimento em 3 anos.

O otimismo dos CEOs, segundo a pesquisa, gera 3 reflexos:

1º) Contratações: 48% estimam um aumento moderado (3 – 9%) nas contratações nos próximos 12 meses. Já 14% estimam um aumento forte (10% ou mais).

2º) Foco: mesmo em menor magnitude do que no ano passado, os três focos dos líderes das empresas continuam sendo eficiência operacional, crescimento orgânico e lançamento de produtos ou serviços, como estratégia para 2021. Todos com foco interno para o cliente. 

O aspecto de mercado, como alianças estratégicas, parcerias ou venda de uma empresa, perdeu força de 2020 para 2021.

3º) Incertezas: 56% dos CEOs têm alto nível de preocupação com as incertezas tributárias, incertezas de pandemias e crises sanitárias (56%), também em relação a políticas (53%), ao aumento das obrigações tributárias (51%), ao crescimento econômico incerto (49%).

Quando se perguntou quanto ao “nível de preocupação com ameaças comerciais, econômicas, políticas, sociais e ambientais para o crescimento da empresa”, apareceram no top 5, exposto no gráfico anterior, a temores e incertezas políticas – enquanto no mundo, pautas como ameaças cibernéticas ganham força.

A partir de todo receio quanto à questão tributária e política no Brasil, quando se questionou sobre o “efeito das mudanças na política tributária para lidar com o aumento da dívida governamental”, chegou-se ao seguinte: 

87% dos CEOs concordam ou concordam plenamente com a afirmação: “Levarão minha empresa a repensar sua estrutura de custos.” Além disso, 73% concordam ou concordam plenamente com a afirmação: “Aumentarão a obrigação tributária total da minha empresa”. Ou seja, os líderes esperam fortemente que as incertezas e inseguranças políticas levem a um impacto no aumento das obrigações tributárias e, consequentemente, na necessidade Ou, as inseguranças políticas “levam à necessidade” da revisão do planejamento e da estrutura de custos.  

O dualismo encontrado na pesquisa é que, apesar de toda incerteza e temor político e econômico, os CEOs são otimistas quanto ao futuro da empresa e da economia, o que nos leva a crer que todo ceticismo é deixado de lado, e o empresário brasileiro é, de fato, um otimista por natureza.

Fonte: https://www.pwc.com.br/ceosurvey

Múltiplos no setor hospitalar: quanto vale um leito?

Transações comparáveis podem ajudar na avaliação de ativos.

Os múltiplos são indicadores padronizados dos valores das empresas. São utilizados para avaliar a empresa por meio de outras comparáveis e para identificar companhias subavaliadas ou superavaliadas. Trata-se de um método bastante prático e rápido, porém pode esconder algumas armadilhas.

Cabe destacar que, só podemos comparar o valor de uma empresa (Valor da Firma ou Firm Value), antes do efeito da dívida, com indicadores operacionais como: EBITDA, EBIT ou mesmo o faturamento. Por outro lado, o valor remanescente para os sócios (Valor dos Sócios ou Equity Value) deve ser comparado com indicadores que reflitam a posição societária, tais como: preço ou valor da cota por PL (Patrimônio Líquido), preço sobre lucro líquido ou preço sobre fluxo de caixa do acionista.

Outro múltiplo bastante utilizado refere-se a variáveis específicas de um determinado setor: o setor de educação utiliza o valor por aluno em graduação; o setor de geração de energia utiliza valor por MWh; e o setor hospitalar toma como base o valor do leito.

Vantagens:

  • Simplicidade
  •  Rapidez na precificação
  •  Necessidade de poucas informações

Desvantagens:

  • Diferença nos fundamentos das empresas comparáveis
  • Qualidade das informações financeiras
  • Especificidades de cada transação (empresa, linha de negócio, carteira de clientes, ativos imobilizados, etc.)
  • Efeito manada (todo o setor pode estar superavaliado ou subavaliado)

O levantamento feito pela XVI Finance (ver site: https://xvifinance.com.br/qual-valor-de-um-hospital/) analisou 23 operações de compra de hospitais no período de 2015/2020. O valor médio do leito hospitalar, sem considerar a inflação do período, foi de R$ 1.184 mil por leito.

Fonte:
https://xvifinance.com.br/qual-valor-de-um-hospital/
http://cnes2.datasus.gov.br/

A partir da tabela acima, propusemos uma análise de regressão para compreender se o valor de um hospital é influenciado pelo número de leitos de UTI. Como resultado, obtivemos a seguinte equação:

Regressão Simples: lnY= α+ βlnUTI

  • Valor leito = lnY=6,01828+0,256990 lnUTI

Nossos estudos demonstraram que 10% a mais de UTIs em um hospital representa um acréscimo do valor do leito de 2,5%. Aplicando a fórmula, com por exemplo 30 UTIs, obtivemos um valor de R$ 984 mil por leito no período analisado.

Portanto, neste exemplo, ao multiplicarmos o valor de R$ 984 mil pelo número de leitos do hospital, teremos o valor do hospital por meio de análise de transações comparáveis. Esse setor vem sofrendo forte consolidação ao longo dos últimos anos.

O Preço da Gasolina

Quando me perguntam sobre os parâmetros que realmente afetam o preço da gasolina ao longo do tempo, tenho a resposta direta: taxa de câmbio. Isso mesmo! A taxa de câmbio (R$/US$) é a nossa principal referência para o valor que o consumidor brasileiro paga nas bombas. Mas qual é a relação, então? Como referência, 1 litro de gasolina nos postos de combustíveis, nas principais capitais do Brasil, é de aproximadamente 90% a 110% sobre o valor da taxa câmbio em relação à USD 1 dólar norte-americano. Se o barril do petróleo estiver abaixo de US$ 50, a relação 90% fica mais evidente. Se o preço do barril estiver acima desse valor, então 110% torna-se o parâmetro de referência.

Exemplos para nossa análise:

Entre os meses de agosto e dezembro de 2015, com o preço do barril a cerca de US$ 45,00, a taxa de câmbio média foi de R$ 3,72 por dólar. Nesse mesmo período, segundo a ANP, o preço médio do litro da gasolina em Curitiba foi de R$ 3,35. Dividindo 3,35/3,72, resulta que o preço médio da gasolina ficou cerca de 90% do valor do dólar.

Analisando essa relação em nível nacional, tem-se que, durante o primeiro semestre de 2019, com o preço do barril a US$ 60,00 e com a nova política de preços da Petrobras, o preço médio da gasolina no Brasil ficou em R$ 4,32, e a taxa de câmbio em R$ 3,88 – uma relação de 110%, calculada pela divisão da gasolina sobre o dólar (4,32/3,88).

Então, o que devemos esperar para este ano de 2021 quanto à dinâmica de preços da gasolina?

Mantendo a política internacional de reajuste de preços e o barril de petróleo sendo negociado a US$ 60,00, devemos esperar novos aumentos no preço da gasolina. Nossa taxa de câmbio esperada e observada está em torno de R$ 5,10 e, utilizando um fator de 110%, o preço da gasolina de equilíbrio de longo prazo será então de R$ 5,610. 

M&A e as SPACs

Começo de 2021 na América do Norte e Europa foi promissor, com destaque para as SPACs

Como já comentado nos artigos Fusões e aquisições no Brasil no 3ºT de 2020 e conclusão de 2020, o mercado de fusões e aquisições vem demonstrando um movimento de recuperação desde o terceiro trimestre de 2020. Uma prova de que esse movimento está acontecendo ao redor do mundo foi o comunicado do banco americano Goldman Sachs, com o anúncio de que “Mais de US$ 470 bilhões em transações foram anunciados pelos compradores europeus e norte-americanos no início de ano mais forte desde 2000”.

Conforme a publicação, devido ao contexto econômico de maior diversificação empresarial e ao surpreendente aumento do movimento de empresas constituídas para aquisições específicas, conhecidas como SPAC – Special Purpose Acquisition Company –, os analistas esperam que a recuperação do mercado de M&A continue forte.

Em se falando de SPACs, vale destacar que essa modalidade já chamou atenção em 2020, nos EUA, sendo responsável por 46% dos dólares captados no mercado, o equivalente a 80 bilhões de dólares. O volume atingido nesse último ano supera o montante acumulado captado desde o surgimento dessa modalidade em 2003.

Mas, o que são as SPACs?

As SPACs são companhias onde o dinheiro é captado antes que o investidor saiba o que está comprando; em outras palavras, funciona como um “cheque em branco”. Com isso, os investidores apostam na experiência e know-how dos gestores para encontrar, adquirir e realizar o IPO de uma empresa promissora.

Normalmente as SPACs esperam entre um a três anos para conseguir identificar um bom negócio em que investir. Logo após a conclusão da operação, a SPAC é dissolvida e seus investidores se tornam acionistas da empresa selecionada. 

A marca no fluxo de caixa descontado (Valuation)

Durante esses anos de reuniões, quando uma empresa se interessa ou tem a necessidade de realizar um estudo de valor (valuation), a partir da metodologia do fluxo de caixa descontado, a pergunta mais frequente que escutamos é: “E a minha marca? Quanto vale?”. E a resposta sempre é: “O fluxo de caixa descontado consegue captar o valor da sua marca.”

O empresário que tem a sua história pessoal e, muitas vezes familiar, confundida com a história da empresa, sabe do sangue e lágrimas derramados para chegar aonde chegou; porém, não percebe que a valoração da marca está em constante mutação.

A metodologia de avaliação de marca (Brand Value) tem três abordagens para valoração de uma marca, entre elas:

1. ABORDAGEM BASEADA EM CUSTOS: principalmente preocupada com o custo na criação ou substituição da marca. Por exemplo:

a) Custo acumulado ou método de custo histórico;

b) Método de custo de substituição.

2. ABORDAGEM BASEADA NO MERCADO: lida com o valor em que uma marca é vendida e está relacionada ao valor mais alto que um “comprador e vendedor participantes do mercado” estão dispostos a pagar por um ativo. Exemplos:

a) Abordagem comparável ou o método de comparação de venda de marca;

b) Método residual.

3. ABORDAGEM BASEADA EM RENDA: trata da valorização dos lucros líquidos futuros diretamente atribuíveis à marca para determinar o valor desta em seu uso atual. Exemplificando:

a) Método de royalties;

b) Fluxo de caixa descontado.

David A. Aaker e Aswath Damodaran, referências no tema, apresentam o fluxo de caixa descontado para valoração de marca também. Nas entrelinhas das projeções do valuation, a marca está implícita.

O exemplo clássico que apresentamos é considerando o preço ou ticket médio em relação a concorrentes diretos com marcas menos prestigiadas. A melhor visualização é imaginando por que a Coca-Cola pode cobrar um preço superior aos demais refrigerantes cola de similar qualidade, conforme demonstrado no gráfico a seguir:

De maneira simplificada, a diferença entre o preço que a Coca e os outros similares e sucedâneos cobram é a marca.

Logo, quando realizadas as projeções para a construção de um valuation com a metodologia do fluxo de caixa descontado, esta só é sustentada, alcança determinado volume de vendas, ticket médio, market share e custos e despesas por conta da marca. Ou seja, valor da empresa encontrado tem nele o valor da marca.

Juros de 10 anos nos EUA: uma taxa livre de risco menor.

Uma das variáveis mais importantes para determinar a taxa de desconto dos fluxos projetados decorrentes de um estudo de valor (Valuation) consiste em determinar a taxa de juros de longo prazo de um título soberano, sem risco de default. O mais utilizado é o título público norte-americano de 10 anos, o T-Bond 10Y.

No ano de 2020, em virtude da pandemia, a taxa de juros de longo prazo caiu de 1,80% em janeiro para 0,60% em março, fechando o ano em 0,93%. A preocupação com os fatores recessivos e as incertezas em relação à consolidação da retomada da atividade produtiva mantiveram os juros em patamares historicamente baixos conforme demonstrado no gráfico.

Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis.

Com a retomada mais forte da economia mundial e dos EUA, os preços das commodities foram pressionados e os juros, no início de 2021, subiram para 1,30%. Por exemplo, o preço do barril de petróleo (WTI) subiu de US$ 47 para US$ 60. É muito provável que os preços internacionais dos minérios, grãos, energia e alimentos continuem fortes. Esse fato se deve ao estímulo extremamente significativo do Fed (Banco Central dos EUA) ao avanço das campanhas de vacinação e à promessa de um pacote fiscal de cerca de US$ 1,9 trilhão.

Em outras palavras, com a retomada do mercado de trabalho norte-americano e uma pressão de preços de commodities, a taxa de juros de longo prazo tende a se normalizar a um patamar de equilíbrio sustentável. Esse valor tende a ser mais próximo de 2,0% ao ano; mas, provavelmente, apenas no final do ano de 2022. De fato, mais dois anos de juros baixos. Nesse sentido, os estudos de valores poderão se beneficiar de uma taxa de juros livre de risco, historicamente baixa, por um longo período.

Amortização de ágio leva empresas à discussão judicial do tema

Eleva Educação dispensa discussão com CARF e discute ágio diretamente no judiciário

Em matéria pública no Valor Econômico (17/02/21), abordou-se a iniciativa da Eleva na judicialização sobre a amortização de ágio, mesmo não sendo a empresa intimada pela Receita Federal, em vez de buscar recursos no CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

Acontece que as decisões do CARF não têm sido favoráveis aos contribuintes (cinco entendimentos favoráveis em 164 casos analisados), enquanto as decisões judiciais são mais equilibradas (29 favoráveis contra 27), segundo o escritório Mattos Filho.

Entenda o caso Eleva:

  • Realizou-se um depósito do valor do ágio que poderia amortizar, solicitando judicialmente que não fosse cobrado IR e CSLL;
  • A WP Búzios fez um aporte de R$ 338 milhões, gerando ágio por rentabilidade futura de R$ 173,7 milhões;
  • Dois anos depois, a WP Búzios foi incorporada com pagamento de R$ 358 milhões. A Eleva passou então a amortizar o ágio por rentabilidade futura registrada na WP Búzios;
  • O pedido foi atendido pelo judiciário, que suspendeu a exigibilidade tributária com base no art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN) – ver processo nº 5004288 -96.2021.4.02.5101.

As decisões até o momento são de primeiro grau e segundo grau, como no caso da Solenis do Brasil Química – ver processo nº 1030649-96.2019.4.01.0000, de 2019. São casos recentes e que ainda não foram julgados pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Aos nossos clientes indicamos a realização de laudo de PPA (Purchase Price Alocation) para atender os princípios de aproveitamento de ágio descritos na IN (Instrução Normativa) nº 1.700 da Receita Federal e alterações posteriores. Todavia, observamos que, dentro da própria Receita Federal, o tema é controverso, gerando muitas dúvidas desde o protocolo do laudo até a fiscalização.

O que de fato parece suscitar maior atenção por parte do contribuinte são as operações classificadas pela Receita Federal como “suspeitas”, ou seja, aquelas que a Receita entende que tiveram como único objetivo diminuir o montante de tributos a recolher. Normalmente, essas operações estão restritas às operações realizadas entre partes relacionadas, ou àquelas nas quais não houve contrapartida em ativos (dinheiro ou outros ativos).

REFERÊNCIA

OLIVON, Beatriz. Eleva recorre à Justiça de forma preventiva para amortizar ágio. Valor Econômico, Brasília, 17 de fev. de 2021. Disponível em: <https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2021/02/17/eleva-recorre-a-justica-de-forma-preventiva-para-amortizar-agio.ghtml>. Acesso em: 19 de fev. de 2021.

Fusões e Aquisições em 2020

Apesar da recuperação no 3º e 4º trimestres, 2020 apresentou queda quando comparado a 2019

Depois de um 2019 com recorde de transações no mercado de fusões e aquisições no Brasil, 2020 apresentou um total de 1.549 operações, indicando queda de 5% quando comparado ao ano anterior, segundo os dados da Transactional Track Record (TTR).

Em nosso artigo publicado em 28/10/2020, Fusões e aquisições no Brasil – recuperação no 3º T indica um 4º T movimentado, elencamos os balizadores da fraca movimentação no setor de M&A no primeiro semestre de 2020. Em linhas gerais, observou-se no artigo um cenário pouco atrativo para a abertura ou avanço de negociações, com uma redução de 25% nas transações do primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019 (segundo o TTR).

O mesmo artigo cita a recuperação apresentada no 3º T de 2020, indicando os motivos dessa retomada e as perspectivas para o 4º T que, de fato, confirmaram-se.  Os números do quarto trimestre mostram manutenção da tendência de recuperação iniciada no terceiro trimestre do ano, logo após os impactos causados pelo Coronavírus. Foram 491 negócios nos meses de outubro, novembro e dezembro, apenas 3% a menos que no mesmo período de 2019.

O segundo semestre apresentou um cenário com a menor taxa básica de juros da história, em que se observou um processo de transferência dos recursos alocados em renda fixa para a economia real. Da mesma forma, com a baixa remuneração dos investimentos, as transações tornaram-se atrativas exigindo menor retorno dos novos projetos aliados com a redução do valor de empresas mais afetadas pela crise.

Esses fatores acarretaram dois tipos de movimento:

1) Empresas com caixa aproveitando oportunidades de negócio, seja diversificando suas atividades, seja investindo em tecnologia para se adaptar às novas condições impostas pelo distanciamento social;  

2) Empresas que estão vislumbrando oportunidades pela sinergia de suas operações com o intuito de conseguir se reerguer mais rapidamente. Leia mais sobre O Valor de Sinergia em processo de M&A.

Quando analisamos os setores que mais concentraram transações em 2020, conseguimos observar perfeitamente esses dois movimentos citados  juntamente com as novas demandas do mercado, como a transformação digital e a busca por serviços e produtos na área de saúde.

 O setor com mais negócios foi o de tecnologia, com 504 operações de fusão de aquisição  – um aumento de 19% em comparação com 2019. Na sequência, apareceram os setores de finanças e seguros com 222 operações (aumento de 4% frente a 2019) e higiene e saúde com 175 transações (aumento de 22%).

Para 2021, a perspectiva é de melhora para as movimentações de M&A devido à maior segurança para o ambiente de negócios, impulsionado pela chegada da vacina e da esperada redução da pandemia com a consequente recuperação dos efeitos causados pela Covid-19.

Número de Recuperações Judiciais tem menor nível dos últimos 5 anos. O que será de 2021?

No mês passado (jan/21), a Serasa Experian divulgou os dados de insolvência consolidados de 2020. Analisando os dados disponibilizados, o número de Recuperações Judiciais deferidas em 2020 foi o menor nos últimos cinco anos conforme gráfico a seguir:

Fonte: Serasa. Elaborado por Valuup.

Ou seja, não podemos concluir que a pandemia por que estamos passando foi um agravante no mercado de insolvência.

Para entendermos melhor o que está ocorrendo atualmente, é importante olharmos para crises passadas. Ao observarmos o número de Recuperações Judiciais deferidas no ano de 2014, por exemplo, ano de crise econômica, percebemos que ocorreu uma menor quantidade de deferimentos do que em 2013. Apenas em 2015 esse número aumentou, tendo seu ápice em 2016, com 1.514 RJs deferidas.

Adentrando um pouco mais na economia brasileira, é notória a força dos bancos de primeira linha e, quando analisamos seus relatórios, podemos prever uma série de movimentos a partir dos dados apresentados por eles.

O aumento no número de RJs referidas não pareceu surpresa para os bancos uma vez que estes conseguem demonstrar suas expectativas de futuras do Mercado de Insolvência através de suas Provisões de Perdas, que representam o montante que os bancos não esperam recuperar de seus inadimplentes no ano.

Fonte: Serasa e Bancos (Itaú, Santander e Bradesco). Elaborado por Valuup.

Essa questão torna-se evidente ao observarmos que, a partir de 2013, a Provisão de Perdas dos bancos inicia um processo de subida, que se destaca entre 2014 e 2015, alcançando um primeiro pico em 2016 para, posteriormente, ter uma pequena queda, indicando que as expectativas foram ajustadas.

Em 2018 a Provisão de Perdas dos bancos volta a crescer, porém de maneira controlada e estável. No ano de 2020, como demonstra o gráfico, os bancos voltam para uma forte Provisão de Perdas. Logo, estão esperando um ano difícil no mercado de NPL (Non-Performing Loan).

Uma vez que os bancos tiveram suas provisões elevadas, fizemos a regressão linear das Recuperações Judiciais deferidas nos últimos dez anos, para projetar qual seria o número de RJs nos próximos anos e chegamos ao seguinte resultado:

Fonte: Serasa e Bancos (Itaú, Santander e Bradesco). Elaborado por Valuup.

Portanto, podemos esperar uma elevação nos casos de Recuperação Judicial no ano de 2021, principalmente em comparação com o ano anterior. E, pelo que tudo indica, podendo ter patamares parecidos com os de 2015 e 2016 nos próximos dois anos, como reflexo da crise econômica que está em curso.

Referências:

Bradesco. Relação com Investidores: Relatórios. Disponível em: <https://www.bradescori.com.br/informacoes-ao-mercado/relatorios-e-planilhas/relatorios/>. Acesso em: 27 jan. 2021.

Banco Central. Estudos Especiais Banco Central: Fechamento de Empresas na Pandemia. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/conteudo/relatorioinflacao/EstudosEspeciais/EE099_Fechamento_de_empresas_na_pandemia.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2021.

Serasa Experian. Indicadores Econômicos: Recuperações Judiciais Deferidas. Disponível em: <https://www.serasaexperian.com.br/conteudos/indicadores-economicos/>. Acesso em: 27 jan. 2021.

Itaú. Relação com Investidores: Resultados. Disponível em: <https://www.itau.com.br/relacoes-com-investidores/listresultados.aspx?idCanal=lyyjtVJ4BExsF2fi1Kfy0Q==>. Acesso em 27 jan. 2021.

Santander. Relação com Investidores: Resultado. Disponível em: <https://www.santander.com.br/ri/resultados>. Acesso em: 27 jan. 2021.

Perspectivas para a Economia Brasileira e Mundial: 2021

A sustentabilidade da recuperação da atividade econômica 

A economia mundial entrou em recessão severa no primeiro semestre de 2020. O distanciamento social, em virtude do avanço da pandemia, gerou quedas expressivas na atividade produtiva. O Gráfico 1 descreve o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) em países selecionados, tendo como base de referência o nível de atividade no 4º trimestre de 2019 (pré-Covid). Pelo fato de o início da pandemia ter ocorrido na China, sua economia sofreu de forma mais severa no 1º trimestre, recuperando-se surpreendentemente no período seguinte enquanto a economia global desabava. A retração econômica na Índia e no México foi de 25% e 17%, respectivamente, em apenas um trimestre. Nesse mesmo período, a economia brasileira seguiu a tendência dos EUA e Europa, com queda de cerca de 10% do PIB.


Fonte: OECD (2020), Quarterly GDP (indicator).

É importante destacar que a economia chinesa está um passo à frente dos movimentos econômicos da pandemia. E, apesar de ela ter subido exatamente no 2º trimestre, seu nível de atividade produtiva ficou relativamente estagnado no 3º trimestre. Durante o processo de recuperação, o Banco Popular da China identificou que as famílias, as quais sofreram com a perda da renda, terão uma maior propensão a poupar e, com isso, estão encontrando uma maior dificuldade para expandir o consumo das famílias e investimentos das empresas. Ou seja, uma recuperação mais plena da economia mundial dependerá, certamente, de novos estímulos econômicos, em especial o fiscal.

Essa recuperação dependerá do avanço de um amplo programa de vacinação aliado aos pacotes fiscais. O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, sinalizou para o avanço nessa estratégia. As discussões no Congresso e Senado dos EUA indicam, em uma etapa inicial, um pacote fiscal para o início de 2021 na ordem de US$ 908 bilhões. Seus recursos estariam direcionados para um Pacote de Proteção ao Salário (30%), seguro-desemprego adicional, incluindo US$ 300 semanais até março (20%), ajuda a governos estaduais (18%), distribuição de vacinas (2%), suporte às companhias aéreas (2%) e demais programas (28%).

Paralelamente ao pacote norte-americano, é fundamental acompanharmos a relação EUA-China no cenário internacional. Entendemos que uma ação conjunta das duas maiores economias pode ajudar na recuperação mundial. Em especial, nossa atenção está voltada para o anúncio de estímulos fiscais da economia chinesa quando o País passar a anunciar uma maior meta de déficit fiscal para 2021. Atualmente o déficit público está em cerca de 3,6% do PIB. Espera-se um anúncio de déficit para o próximo ano de pelo menos 1 ponto percentual do PIB. Apesar de o consumo e exportações terem apresentado forte recuperação no terceiro trimestre de 2020, há uma preocupação em relação aos investimentos em infraestrutura e manutenção na geração de emprego de qualidade para sustentar o consumo das famílias.

A tabela a seguir destaca as perspectivas de crescimento mundial do PIB para 2020 e 2021 conforme projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional). Um crescimento de 5,2% para a economia mundial em 2021, com destaque positivo para os mercados emergentes (6,0%).


Fonte: FMI, projeções de outubro.

Entretanto, mesmo com o avanço dos pacotes fiscais nos EUA e China, as perspectivas para nossa economia são de retomada mais moderada. Segundo o Relatório Focus, de 4 de dezembro de 2020, o mercado espera uma expansão do PIB de apenas 3,50%. Isto é, abaixo da retomada dos países emergentes. Cabe ressaltar que o atual processo inflacionário de alimentos tende a se dissipar ao longo do primeiro semestre de 2021, com uma taxa de câmbio mais próxima de R$ 5,00 por dólar. O IPCA deve ficar entre 3,40%, com uma maior pressão de preços administrados, em especial nos setores de energia, combustíveis, transportes públicos e saneamento.

A notícia boa é que nossa economia vai avançar em seu processo de recuperação, mas tudo indica que em um ritmo inferior aos dos países emergentes.