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Choque do petróleo e seu impacto no IPCA-15 de novembro

O IBGE divulgou, no dia 25/11, o IPCA-15 referente ao mês de novembro. É uma prévia da inflação oficial, a qual será divulgada apenas no início de dezembro.

Em novembro, o IPCA-15 variou 1,17% contra 1,20% do mês anterior – uma ligeira desaceleração. Os grupos Alimentação e Bebidas (0,40%) e Habitação (1,06%) desaceleraram. A energia elétrica (0,93%) apresentou variação inferior à observada em outubro (3,91%), que registrou impactos mais severos sobre os preços devido à aplicação bandeira de escassez hídrica. A escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 à conta de luz a cada 100 kWh consumidos, está se desfazendo. Na alimentação, itens importantes registraram deflação, tais como: carnes (-1,15%), o leite longa vida (-3,97%) e as frutas (-1,92%).

Em contrapartida, os grupos Transporte, que passou de 2,06% para 2,89%, e Artigos de Residência, registrando uma alta mensal de 0,53% para 1,53%, contribuíram em 0,66 pontos percentuais para o índice em novembro. Apenas a alta nos preços da gasolina (6,62%) contribuiu com o maior impacto individual no índice do mês (0,40 p.p.). No ano, o item Combustíveis (veículos) registrou alta de 46%. É a maior alta dos itens divulgados pelo IBGE. Ou seja, realmente estamos vivenciando um choque do petróleo e energia em nossa economia. Esse fato é explicável pela combinação dos seguintes fatores, durante o ano de 2021:

  1. Preço internacional do Petróleo Brent passou de US$ 53 para US$ 82 o barril, ou seja, um aumento de 56%;
  2. Taxa de câmbio depreciada, operando em cerca de R$ 5,50;
  3. Preço do etanol hidratado passou de R$ 2,07 para R$ 3,67, um aumento de 77%.

O Departamento de Energia dos EUA (DOE) pretende vender 32 milhões de barris de petróleo bruto de suas Reservas Estratégicas a partir do final de dezembro até abril de 2022, com o objetivo de estabilizar os preços no período de inverno do Hemisfério Norte. Contudo, o grupo Saudita OPEP acredita que haverá um excesso de oferta de 1,1 milhão de barris por dia e pretende rever suas quotas de produção na reunião de 2 de dezembro.

O preço do hidratado permanece lateralizado em R$ 3,67 e com a tendência de uma queda entre R$ 10 a R$ 15 centavos. (R$ 0,10 e R$ 0,15.). Por último, uma possível aprovação da PEC dos Precatórios no Senado poderá reduzir a pressão sobre o dólar, fazendo com que a taxa de câmbio venha a operar em cerca de R$ 5,50.

A pressão inflacionária na economia brasileira permanecerá persistente, pelo menos até abril de 2022. Teremos que conviver com elevadas taxas de juros pelo menos até o início do segundo semestre; no entanto, esperamos uma menor pressão de preços de energia, tais como, combustíveis e energia elétrica ao consumidor, com a desaceleração da atividade produtiva e o avanço da nova cepa Ômicron do Coronavírus.